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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Pedaladas para o trabalho
Terças e quintas poderei desfrutar de paisagens assim! Esta foto foi tirada ontem.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Reminiscências - Mesmo que uns não queiram...
Acabei de ler o texto Ensino superior: uma sociedade mais fraterna passa pela reflexão sobre o nosso papel no mundo, da Cristina Rodrigues. Ela aborda o papel social do jovem que adquire um diploma universitário, e faz uma interessante observação sobre os discursos de formatura de outrora e da atualidade.
Ingressei no CEFET-BA na turma de 1994. Não terminei o curso, mas fui convidado para ser o Amigo da Turma na formatura. Eram nove cursos num mesmo evento, auditório do Centro de Convenções da Bahia lotado, mais de duas horas em pé para cumprimentar centenas de formandos... Foi um dos momentos mais emocionantes que vivi, com direito a engasgos e gaguejos.
O texto da Cristina me provocou, resgatei a fala na formatura. A maior parte dela é de menções internas, pois, a sociabilidade que construíamos era única e merecia ser registrada em nosso rito de passagem. Entretanto, creio que não fui convidado para ser o Amigo da Turma por conta das especificidades do grupo às quais me referi, mas talvez por meus colegas acreditarem que eu pudesse sintentizar nossa identidade política, nossas lutas e compromissos sociais.
O discurso recuperado está transcrito abaixo. Destacaria o registro sobre a Praça Vermelha: O então Diretor Geral havia trocado o piso da Praça Vermelha, nomeada assim por causa do chão vermelho e em referência à praça da Rússia. Era o local de encontro das atividades culturais e políticas, um território símbolo nas concentrações e preparações das manifestações.
Boa noite,
É importante dizer que fiquei extremamente lisonjeado por ter sido escolhido o Amigo da Turma. Gostaria de parabenizar também a comissão de formatura que batalhou e fez um trabalho muito bonito. É um prazer estar aqui, com pessoas que conviveram comigo durante uma época muito importante da minha vida, e com certeza também muito importante para a vida de vocês, meus colegas, meus amigos de jornada. Engraçado é que não consegui organizar palavras para expressar meus pensamentos de um jeito formal como exige a ocasião, ou melhor, a partir de agora, pelo menos para mim, exigiria.
Questionei-me : Como falar deste valioso tempo que foi vivido por vocês, de momentos que juntos vivemos? Seria muito mais fácil falar se fosse um observador distante dos acontecimentos. Foi então que procurei uma palavra que pudesse estar ligada a tudo isso, em especial, a esta turma grande, de nove cursos. Encontrei aí uma palavra que considerei ideal, a palavra chave: Determinação. Isso mesmo, Determinação.
Desde o início vocês foram determinados, encararam um exame de seleção com garra e ingressaram numa verdadeira escola, uma escola de vida. Com força de vontade enfrentaram dias inteiros passados na escola ou em função dela. Ou será que alguém não lembra dos nossos "tão bem equipados laboratórios de última geração", onde apesar dos problemas vocês conseguiram se tornar, com certeza, profissionais capacitados devido ao esforço próprio e de muitos professores?
Além disso aprendemos muito nas escadas e nos corredores, assistimos a peças encenadas pelos colegas, as apresentações das bandas marcial e musical, as mostras de som na Praça Vermelha, sim, ela que, mesmo que uns não queiram, será sempre vermelha para nós, ficará marcada como vermelha dos encontros, dos sons, das brincadeiras, do SAMBATEC, dos amores, das manifestações espontâneas de nossos colegas. Tudo isso possível graças a uma concentração de mais de dois mil jovens deslumbrados com as novas descobertas e ávidos por interagir uns com os outros.
E os amigos. Os professores dos mais variados tipos, os que contribuíram das mais diferentes formas. Dos mais severos aos mais tranqüilos, ou em nosso dialeto: "dos mais a ovo". Os colegas que riram, sofreram, viveram muito conosco, eles eram das mais diferentes tribos, possuíam os comportamentos mais variados. Verdadeiras figuras. Tudo isso vivenciado com muito sentimento e principalmente com muita determinação.
E agora? E depois de tudo isso? Para que serviu? Sei que vocês saem agora mais determinados. Acredito que essa determinação deva ser canalizada para a conquista do bem estar coletivo, que o conhecimento adquirido sirva para melhorar a vida dos homens e não o inverso. Precisamos ter clareza de que determinação não significa competição com o colega, com outro ser humano. Significa sim, a disputa com os concentradores de poder e renda, por uma sociedade mais fraterna, mais justa, onde todos tenham condições iguais, onde haja espaço para conviver com as diferenças de maneira democrática. Tenho certeza que este diploma será usado com responsabilidade! Tenho certeza que todos irão batalhar incessantemente buscando o ideal de liberdade, o ideal da libertação humana. Sem dúvida essa instituição vai deixar saudades, espero que permaneçam eternas nossas amizades.
Parabéns! Muito obrigado amigos.
(Salvador, início de 1998)
"Lembro de ainda criança assistir formaturas – faço a ressalva de que eram da área de humanas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – em que o discurso dos oradores era uma manifestação política. E aqui é importante diferenciar manifestação política de manifestação partidária. Era política porque promovia uma reflexão sobre o papel que vinham desempenhar na sociedade. Tinham consciência de que não estavam se formando apenas para sua realização pessoal, mas para contribuir para a construção de um complexo sistema que permite que cada um, dentro de uma área específica, trabalhe e ajude a construir uma harmonia de atividades, que constituem a sociedade.Gostei das reflexões. Elas trouxeram nostalgia de um rico tempo, do tempo do segundo grau (hoje ensino médio), na antiga Escola Técnica Federal da Bahia, depois Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia e atualmente Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - BA.
[...] Hoje os discursos dos oradores não são mais uma mensagem daquela turma para a sociedade, que reflita sobre a profissão e o lugar no mundo. Que mostre o posicionamento daqueles formandos diante das questões sociais e a que eles vêm.
Generalizando um tanto, hoje os discursos refletem uma completa ausência de consciência social. Mostram que os formandos pouco se importam – sequer se preocupam em fazer demagogia – com os outros, nunca nem pensaram na sua função na sociedade, nunca foram instigados a isso. Os discursos são cheios de menções internas, são dos formandos para os formandos, sem conteúdo, vazios de significado. [...]"
Ingressei no CEFET-BA na turma de 1994. Não terminei o curso, mas fui convidado para ser o Amigo da Turma na formatura. Eram nove cursos num mesmo evento, auditório do Centro de Convenções da Bahia lotado, mais de duas horas em pé para cumprimentar centenas de formandos... Foi um dos momentos mais emocionantes que vivi, com direito a engasgos e gaguejos.
| Centro de Convenções da Bahia |
O texto da Cristina me provocou, resgatei a fala na formatura. A maior parte dela é de menções internas, pois, a sociabilidade que construíamos era única e merecia ser registrada em nosso rito de passagem. Entretanto, creio que não fui convidado para ser o Amigo da Turma por conta das especificidades do grupo às quais me referi, mas talvez por meus colegas acreditarem que eu pudesse sintentizar nossa identidade política, nossas lutas e compromissos sociais.
O discurso recuperado está transcrito abaixo. Destacaria o registro sobre a Praça Vermelha: O então Diretor Geral havia trocado o piso da Praça Vermelha, nomeada assim por causa do chão vermelho e em referência à praça da Rússia. Era o local de encontro das atividades culturais e políticas, um território símbolo nas concentrações e preparações das manifestações.
Boa noite,
É importante dizer que fiquei extremamente lisonjeado por ter sido escolhido o Amigo da Turma. Gostaria de parabenizar também a comissão de formatura que batalhou e fez um trabalho muito bonito. É um prazer estar aqui, com pessoas que conviveram comigo durante uma época muito importante da minha vida, e com certeza também muito importante para a vida de vocês, meus colegas, meus amigos de jornada. Engraçado é que não consegui organizar palavras para expressar meus pensamentos de um jeito formal como exige a ocasião, ou melhor, a partir de agora, pelo menos para mim, exigiria.
Questionei-me : Como falar deste valioso tempo que foi vivido por vocês, de momentos que juntos vivemos? Seria muito mais fácil falar se fosse um observador distante dos acontecimentos. Foi então que procurei uma palavra que pudesse estar ligada a tudo isso, em especial, a esta turma grande, de nove cursos. Encontrei aí uma palavra que considerei ideal, a palavra chave: Determinação. Isso mesmo, Determinação.
Desde o início vocês foram determinados, encararam um exame de seleção com garra e ingressaram numa verdadeira escola, uma escola de vida. Com força de vontade enfrentaram dias inteiros passados na escola ou em função dela. Ou será que alguém não lembra dos nossos "tão bem equipados laboratórios de última geração", onde apesar dos problemas vocês conseguiram se tornar, com certeza, profissionais capacitados devido ao esforço próprio e de muitos professores?
Além disso aprendemos muito nas escadas e nos corredores, assistimos a peças encenadas pelos colegas, as apresentações das bandas marcial e musical, as mostras de som na Praça Vermelha, sim, ela que, mesmo que uns não queiram, será sempre vermelha para nós, ficará marcada como vermelha dos encontros, dos sons, das brincadeiras, do SAMBATEC, dos amores, das manifestações espontâneas de nossos colegas. Tudo isso possível graças a uma concentração de mais de dois mil jovens deslumbrados com as novas descobertas e ávidos por interagir uns com os outros.
E os amigos. Os professores dos mais variados tipos, os que contribuíram das mais diferentes formas. Dos mais severos aos mais tranqüilos, ou em nosso dialeto: "dos mais a ovo". Os colegas que riram, sofreram, viveram muito conosco, eles eram das mais diferentes tribos, possuíam os comportamentos mais variados. Verdadeiras figuras. Tudo isso vivenciado com muito sentimento e principalmente com muita determinação.
E agora? E depois de tudo isso? Para que serviu? Sei que vocês saem agora mais determinados. Acredito que essa determinação deva ser canalizada para a conquista do bem estar coletivo, que o conhecimento adquirido sirva para melhorar a vida dos homens e não o inverso. Precisamos ter clareza de que determinação não significa competição com o colega, com outro ser humano. Significa sim, a disputa com os concentradores de poder e renda, por uma sociedade mais fraterna, mais justa, onde todos tenham condições iguais, onde haja espaço para conviver com as diferenças de maneira democrática. Tenho certeza que este diploma será usado com responsabilidade! Tenho certeza que todos irão batalhar incessantemente buscando o ideal de liberdade, o ideal da libertação humana. Sem dúvida essa instituição vai deixar saudades, espero que permaneçam eternas nossas amizades.
Parabéns! Muito obrigado amigos.
(Salvador, início de 1998)
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sábado, 15 de janeiro de 2011
Comunitariamente, luta!
A caminho da ilha da Marambaia, território quilombola com ricas identidades.
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